terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Não era uma hora em  que deveria reclamar, mas ele reclamou.
Ele sempre reclamava, reclamava da vida, dos amigos, do trabalho...
Talvez uma hora se cansasse de tanto reclamar, era o que todos esperavam.
Porém ele não cansava, tinha nascido para isso.

As suas amizades se afastaram, sua família o renegava,
era odiado por todos na cidade, mas ele não estava nem aí.
Bem, ele realmente não ligava e muito menos se ligava.

De fato, ninguém ligava,
afinal, quem é que quer saber disso?!

Suposta Completude, Disfarce de Rei



Outro dia me peguei lendo aquela sua carta
E senti seu perfume me transformando
Era início de uma noite quente
Mas tudo que eu sentia e via
Era a escuridão fria e a perda.

Por tantos caminhos você me mostrou
E por todos os cantos declamou
E cego e surdo me transformava cada vez mais
Surtado pela dor incontrolável do vício ocioso
E monstruoso que me deixava livre
E me tornei incoerente.

Ti troquei por meia dúzia de laranjas azedas
E popular quis ser
Mas no âmago vislumbrava a cor
Do rancor úmido mental
E a dor insuportável da autoflagelação.

Por outras meias dúzias de mentiras
Quis me explicar
E por outras dúzias de verdades
Ti fiz desacreditar
E no final tudo terminou bem.

Bem do jeito que eu disse querer
Mas tudo que realmente queria era te amar
Acima de horizontes
Acima do sumo ser supremo e da áurea prima
E traduzido por um belo sorriso a dois.

E me transformando num sem fundo poço de desejos e despejos
Que por sua estática se faz feliz refletido em seu ser
Torna-se algo intranscendível e indimensionável
Além do que pode se dizer por amor.

Amor esse que apesar de tudo será sempre teu
Independente do que virá
E de quem declararei amar
Por suposto desgosto
Ou por passível desinteresse.

Mas o medo me tomou
E a perda pareceu maior
E o traçado se desenvolveu
Junto com todo sofrimento que ti fiz sofrer
Para algo ser bom.
Quis ti perder para poder ti ganhar
E vivendo levo comigo o aparente erro
De querer te ver assim feliz
E em silêncio te amo um amor egoísta e sereno
E disfarço estar feliz
Do mesmo modo que um triste palhaço
Ri a dor acalentável no centro do picadeiro